Instituto Anima

"Vamos Salvar e Curar nosso Planeta enquanto podemos Agir e Acordar"

Instituto Anima recebeu o maior prêmio ambiental em 2009 da Fatma, o Fritz Müller, em agricultura sustentável

Entre ainda na nossa Rede Social:  http://permaculturabr.ning.com e Grupo: institutoanimateiadavida@yahoogrupos.com.br

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  Projeto Fórum Permanente de Agroecologia e Permacultura para o estado de SC

Objetivo Geral:

- Fortalecer o movimento agroecológico e a Permacultura do estado de SC;

- Oportunizar diferentes seminários em regiões estratégicas e espaços amplos de discussão e participação democrática entre diversos atores, organizações e relações governamentais e não governamentais em eventos, site e redes da net;

- Pesquisar e produzir informações de última geração, organizando um rol relevante de tecnologias adaptadas em um site ou portal como: agroecologia, permacultura, controle alternativo de pragas e doenças, adubação orgânica, sistemas agroflorestais para a agricultura familiar, SAFS e manejo voisin para criação animal na agricultura familiar, bambu, bioconstrução e habitação popular, saneamento sustentável e cíclico, serviços e banco de currículos, classificados on line, rede de troca de sementes, entre outros;

- Formar uma rede de produção, troca, venda ou/e intercâmbio de sementes nativas, indígenas e crioulas ou coloniais;

- Propor pesquisas junto a UFSC e Epagri para testar-se diferentes espécies tradicionais de sementes em qualidade nutricional, produção, produtividade, resistência a doenças, potencial para artesanato, controle de invasoras, entre outros aspectos;

- Organizar um classificado on line de produtos e serviços da agroecologia e da permacultura do estado de SC;

- Formar um mapeamento digital on line das iniciativas em agroecologia e permacultura no estado existentes;

- Editar cartilhas, apostilas, minibooks, um livro final deste projeto completo com as principais conclusões e avanços conquistados com a participação popular.
Contexto Atual para o Forum em SC

Justificativa e Contexto Geral:

Este texto responde algumas perguntas do projeto que estão definidas mais adiante, relacionadas a nossa relação com políticas públicas. A produção orgânica ou agroecológica movimentou 25 bilhões de dólares no mundo, ano passado, e países como Alemanha, Áustria, Suécia, Dinamarca, Itália, só para citar alguns, elegeram a agricultura orgânica, como prioritária ou fundamental para seu desenvolvimento. Além de feiras, supermercados e lojas especializadas, os alimentos orgânicos estão atraindo pequenas, médias e grandes empresas mundo afora. Grandes companhias de aviação como a Swiss Air, Lufthansa já servem cardápio orgânico em seus vôos. O MacDonald’s, na Suécia, utiliza leite orgânico em suas lojas, num convênio com a Associação dos Produtores Orgânicos Suecos. Os principais países produtores de alimentos orgânicos são a Austrália, Argentina, Itália, Estados Unidos, e o Brasil já desponta com um honroso quinto lugar, com 800 mil hectares cultivados e 19 mil produtores certificados como orgânicos. Mas já é apontado como segundo, em função do extrativismo sustentável da Amazônia, elevando para 6 milhões e 500 mil hectares. Vários estados brasileiros já apresentam uma produção crescente de produtos orgânicos, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco. Mas é no Sul do País que a agroecologia vem despontando, com 10 mil famílias produzindo agroecologicamente. Particularmente o Sul do Brasil (RS, PR e SC), desponta, pelas suas características fundiárias, sociais e culturais, como uma região em que a agricultura sustentável e agroecológica possui condições para atingir um grande número de agricultores, mormente aqueles oriundos da pequena agricultura familiar, que perfaz praticamente 80% do total de agricultore(a)s. Só para citar um dado, há dez anos não havia mais do que cinco ou seis associações de produtore(a)s agroecológicos em Santa Catarina, e hoje já passam de 60, e o número continua a crescer. Vale ressaltar, que o desenvolvimento da produção agroecológica em SC e no Brasil deve-se, em muito, ao pioneirismo de grupos e associações de agricultore(a)s como a Coolméia, Abio, AAO, Aopa, Apaco, Cepagri, Biorga, Acevam, Vianei, Apremavi, Agreco, Anima, Harmonia da Terra, IAR, etc. Mais recentemente, com a criação da Rede Ecovida, que congrega dezenas de associações agroecológicas no Sul do Brasil, a Agroecologia teve um novo revigoramento. Segundo estimativas, o crescimento da produção agroecológica/orgânica está por volta de 20 a 30% na Região Sul. Investir na produção orgânica significa acompanhar o que a sociedade está demandando, não só do mercado, mas também das instituições públicas. A agricultura agroecológica e sustentável, além de diminuir a contaminação ambiental, traz mais saúde, tanto para os produtores rurais, como também para os consumidore(a)s. Em geral reduz os custos de produção, utiliza mais os recursos existentes na propriedade e torna o produtor menos dependente de insumos externos. São muito importantes as ações de economia solidária que começam a ser realizadas na Região Sul e em alguns estados do nordeste e sudeste, principalmente desenvolvendo pequenos mercados locais onde os produtos não demandam grandes deslocamentos, gerando mais renda e oportunidades de empregos localmente, territorialmente. Na área social, a agroecologia ajuda a manter o homem no campo, pois a tendência é utilizar mais o trabalho humano, e com isso agrega mais a família, valoriza o trabalho e traz dignidade ao ser humano. A propósito, estudos do CEPAF/Epagri, em Chapecó-SC, revelaram um dado preocupante: na ultima década 70 mil jovens (15 a 29 anos) abandonaram o meio rural no oeste catarinense. A agroecologia é uma das propostas do atual programa do governo catarinense (Plano 15), e é estratégica para o Projeto Microbacias II, pois, por não depender de recursos externos, é a alternativa mais viável para os agricultores mais descapitalizados, público preferencial deste projeto coordenado pela Epagri. Por estes e outros motivos, a demanda por esta alternativa começa a se destacar na maioria dos planos de desenvolvimento das microbacias elaborados até o momento (são 84 mil famílias a serem assistidas e prevê-se a criação de 800 associações). Também no Rio de Janeiro e Paraná, a produção orgânica tem importante destaque nas ações de governo, sem mencionar outros estados onde ela já está presente, em maior ou menor grau, como é o caso do Rio Grande do Sul, que é um dos pioneiros. A merenda escolar orgânica, importante ação sócio-econômica e cultural, também faz parte do plano de governo atual catarinense, sendo atualmente atendidas 56 mil crianças em mais de 100 escolas básicas estaduais. O governo estadual, através da Secretaria Estadual de Educação, pretende ampliar o número de crianças e escolas atendidas nos próximos anos, buscando atingir todo o público em idade escolar em Santa Catarina, o que representa hoje em torno de 1 milhão de crianças e pré-adolescentes.O Pronaf - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, ligado ao Ministério do Desenvolvimento e Reforma Agrária - MDA dispõe de linha de financiamento específica para o setor, oferecendo 50% a mais de crédito para o(a)s agricultore(a)s brasileiros que queiram investir na atividade, tanta na produção agroecológica, como na transição. E o Banco do Brasil tem papel importante neste financiamento, pois está em contato direto com os agricultore(a)s/pequenos empresários rurais. O MDA está lançando este ano um grande programa de apoio à produção agroecológica no Brasil, destinado principalmente a apoiar a agricultura familiar, e o Ministério do Meio Ambiente possui uma série de ações e programas estratégicos voltados à proteção e conservação ambiental. E convém ainda lembrar que as diretrizes nacionais da ATER, Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, contemplam prioritariamente a agroecologia em suas ações. Além do crescente número de agricultore(a)s que adotam a agroecologia em suas atividades, fruto do trabalho pioneiro de ongs, em todo o Brasil, também as instituições governamentais de ensino, pesquisa e extensão dedicam-se, em maior ou menor grau, a estudar, conhecer mais e divulgar a produção orgânica. Entre as instituições que já desenvolvem trabalhos sérios nesta área citam-se a Embrapa, que possui alguns dos seus Centros de Pesquisa dedicados mais intensamente à agroecologia, como de Jaguariúna. Várias universidades federais e estaduais também dedicam cada vez mais tempo e recursos na pesquisa e ensino da Agroecologia. Pode-se destacar entre outras, o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina, que criou há alguns anos o primeiro curso de mestrado na América Latina, com enfoque agroecológico. No Projeto Agroecologia, conduzido pela Epagri, atualmente trabalham 6 Phds, 20 Mestres, 9 BSc, sem falar em outros projetos da empresa que já pesquisam na área da produção orgânica, como o de arroz, hortaliças, fruticultura clima temperado, plantas bioativas e manejo do solo, entre outros. Além destes, alguns extensionistas tem tido cada vez mais parte de seu tempo demandado pelos produtores na assistência em produção orgânica e agricultura sustentável. E se preocupam em valorizar a fixação da juventude rural no campo e do respeito à participação das mulheres na tomada das decisões e na sua importância para a atividade agrícola. Além de técnico(a)s da Epagri, vário(a)s professore(a)s de universidades, técnico(a)s de ongs, cooperativas, prefeituras e outras entidades também atuam na área agroecológica. Não obstante a crescente importância da agroecologia, os recursos humanos alocados nesta área representam ainda pequena parcela do total. O Instituto CEPA/SC desenvolve estudos básicos de mercado onde procura investigar a realidade da produção orgânica no Estado, tais como número de produtores envolvidos, volume de produção, preferência dos consumidore(a)s, entre outros itens relevantes. A agroecologia, por sua própria filosofia, é integradora. Ela ajuda a congregar extensão, pesquisa, ensino e agricultor(a). E é cada vez maior a articulação dos vários segmentos representativos da sociedade, como sindicatos, ongs, prefeituras, universidades, extensão rural, cooperativas, pesquisa agropecuária, etc.

Há algumas iniciativas de produção de alimentos de muito sucesso que estão dando certo na região, mas que ainda estão muito enfraquecidas, como é o caso do produtor da empresa Don Natural, Sr. Glaico e Sra. Rosa Sell que possui uma chácara bem produtiva no município de Paulo Lopes, distante 70 kms de Florianópolis, e que lhe falta mais área e volume de produção, pois com menos de 1 hectare abastece a ecofeira da Lagoa da Conceição, um centro de destaque e ainda fornece produtos à restaurantes tradicionais, alcançando muitas vezes acima de R$ - 20.000.00 de renda bruta mensal, formando um exemplo valioso onde sistemas produtivos orgânicos em policultivos diversificados podem exemplificar propostas sólidas e avançadas para o combate a fome e a miséria no país. Temos a Associação Recanto da Natureza que congrega mais de 30 produtores no município de Santo Amaro da Imperatriz, que necessita aprimorar seus métodos de cultivo e ter mais acesso e facilidades de crédito. A Agreco é uma Associação de Agricultores da Encosta da Serra Geral, que produz grande volume de produtos para a merenda escolar de SC através de 64 pequenas agroindústrias e 120 produtores, no município de Santa Rosa de Lima, distante 150 kms de Fpolis, e movimenta um total de negócios de R$ - 100.000 mensais, e que está sempre tendo um esforço imenso em manter politicamente seu pioneiro e muito ético programa. Ainda ocorrem diversos agricultores no município de Antonio Carlos, Palhoça, Canelinha, São João, Major Gercino, Itajaí, São José, Tijucas, Barreiros, Águas Mornas e Florianópolis, muito isolados, bastante, desmotivados, onde sua juventude rural prefere não dar continuidade a interessante e muito necessária profissão de agricultor e empresário rural. Este quadro precisa ser mudado em prol da segurança alimentar do país. Em relação à Permacultura ocorrem iniciativas como o Instituto Austrobrasileiro de Permacultura, a Rede Permear, o Instituto Anima no bairro Campeche, o Instituto Çaracura no bairro Ratones, o Sitio dos Sonhos em Rio Novo, município de São Bonifácio, porem não conseguem ainda manter uma unidade e relacionamento construtivo na região da grande Florianópolis e interior do estado, e a necessidade da difusão de sistemas mais sustentáveis é fundamental para se combater os efeitos do aquecimento global em todo o país e planeta. A geração de tecnologia sustentável, sua base genética como sementes nativas, indígenas e crioulas ou coloniais, sua troca e intercâmbio são algo incipientes, e há um imenso interesse para que estes recursos culturais e genéticos tradicionais e inclusive modernos sejam novamente colocados com maior disponibilidade, pois estamos há décadas perdendo o mercado para a influência político-econômica de empresas estrangeiras que dominam mais de 80 % do volume de negócios sobretudo de cereais e de hortaliças, que formam a base de nossa segurança alimentar e politica. Outra questão, é que muitas espécies já estão extintas, e com elas todo um legado histórico que se perde, uma agroecologia antiga e que se manteve mais segura e permanente durante séculos que agora está desprezada ou sendo extinta. O fluxo atrativo e contínuo a urbanização é um quadro extremamente grave para a nossa sustentabilidade futura. O nível de resistência a muitas doenças e adaptação a microclimas locais também é considerado melhor nas sementes tradicionais, a sua produtividade também é elevada, mas o volume de produção ainda é pequeno: menos de 10 % do volume total de produção do estado e a demanda e valorização do mercado está muito elevada com a agroecologia. Já ocorre um programa estadual que visa unificar e as fortalecer corretamente, no sentido de democratizar informações e empoderar realmente novas lideranças, sendo realizado oficialmente dentro da Epagri através da coordenação de agroecologia, mas que necessita ser muito mais ampliada e fortalecida. A Epagri é a maior empresa agropecuária de extensão e pesquisa e consegue realizar pesquisas e estimular a produção orgânica, contudo seus resultados não se mostram de forma mais contundentes devido à pressão política dos grupos macroeconômicos que está muito concentrada e desigual no estado e no Brasil. Assim tem-se uma ótima perspectiva de aumento da produção, geração de empregos e de renda para inúmeras famílias, despertando sua consciência, proteção e cidadania ambiental, que pode inclusive tornar este projeto financiável à medida que tivermos um maior contato com as diferentes iniciativas existentes na região, pois ainda identificamos a necessidade de criarmos nichos de novos produtos e mercados e um sério levantamento de tecnologias adaptadas de baixo custo. Esta geração de renda pode crescer se melhorarmos os pontos de venda de produtos orgânicos, capacitarmos melhor os produtores, comerciantes e interessados e trazermos mais interesse para os consumidores, que ainda são poucos comparados às ofertas mais convencionais. Para isso tudo temos um belo sitio no sul da ilha de Florianópolis, de 5.000 ms, totalmente cultivado, que serve como uma escola de agroecologia e de permacultura, onde já estamos mantendo uma coleção de mais de 20 tipos de variedades de milho indígena e crioulo, duas dezenas de espécies de feijão, várias espécies de adubos verdes, sistemas de cultivo múltiplo ou consorciado, policultivos com a permacultura, mandalas de ervas com mais de 80 espécies cultivadas. Possuímos ainda uma rede própria na net (http://br.groups.yahoo.com/group/institutoanimateiadavida) e site: www.institutoanima.pop.com.br, possuímos uma participação ativa em mais de 25 outras redes da net, com inúmeros parceiros, nossa lista de e-mails já chegou em 10.000 colaboradores indiretos em 95 págs corridas. Estas redes e banco de sementes é uma de nossas atividades há pelo menos 5 anos, onde nas ecofeiras sempre doamos e vendemos pacotes de sementes, sobretudo milho indígena e adubos verdes. Ainda participamos da coordenação de três destacadas ecofeiras na cidade de Florianópolis – SC, e apoiamos alguns importantes projetos sociais como em uma colônia agrícola penal com a produção de ervas medicinais em uma área expressiva de 3 hás para o sistema carcerário, um programa de comercialização sustentável de artesanato e produção de mudas em viveiros em aldeias indígenas Pataxós, localizadas no sul do estado da Bahia, e a educação ambiental em escolas da rede de ensino da região metropolitana de Florianópolis, entre outras ações.

Programa Socioambiental de Agroecologia, Permacultura e Sustentabilidade para a nação Pataxó no sul do estado da Bahia

Introdução: uma agricultura sustentável de longo alcance para os Pataxós

O grupo étnico Pataxó representa uma comunidade indígena remanescente da presença ainda ativa das centenárias tribos Tamoios, Tupis e Guaranis, que viviam anteriores a época do descobrimento do Brasil na região da Bahia, disseminando-se por todo o litoral sul e sudeste brasileiro. Contam atualmente com 8 aldeias principais próximas ao Parque Nacional do Monte Pascoal, em uma área total de 86.050 ha: São as Aldeias de Barra Velha, Curubalzinho, Craveiro, Caí, Guanxuma, Trevo do Parque, Meio da Mata e Boca da Mata, totalizando uma população de mais de 6.500 indivíduos Pataxós.

2.0. Objetivos deste Projeto

- 2.1. Introduzir hortas, pomares, viveiros escolares e comunitários e sistemas agroflorestais nas Aldeias Indígenas Pataxós do Parque Nacional do Monte Pascoal, capacitando alunos, professores, diretores, funcionários e agentes sociais e membros das comunidades nativas

Entre 2 a 4 has de Hortas em cada aldeia
Entre 2 a 15 has de Pomares em cada aldeia
Viveiros entre 3.000 a 15.000 mudas/ano em cada aldeia
SAFs e Reflorestamentos: entre 10 a 200 has/ano em cada aldeia
Recuperação de áreas degradadas e matas ciliares

- 2.2. Trazer uma melhor agricultura, economia ecológica e qualidade de vida para as comunidades indígenas

Integração Cíclica entre a Agrossilvicultura e o Artesanato Pataxó

- 2.3. Abastecer lares, creches, postos de saúde, hospitais públicos, mercados e feiras verdes com o excedente da produção

Oferta de produtos agrícolas: Entre 2 a 15 ton/mês por aldeia

- 2.4. Aproveitar ao máximo os recursos locais e da comunidade, propondo pequenos projetos associativos em desenvolvimento comunitário

- 2.5. Formar cursos, palestras e reuniões nas escolas e nas comunidades

- 2.6. Desenvolver o paisagismo nas escolas e comunidades, desenvolvendo a cidadania e uma melhor qualidade-de-vida

- 2.7. Melhorar e aprimorar uma alimentação de maior qualidade nutricional na merenda escolar e na utilizada pelas famílias Pataxós

- 2.8. Trazer a importância da interdisciplinaridade e da transversalidade com a introdução da agricultura, nutrição e medicina natural nas escolas, evoluindo os alicerces da moderna educação ambiental e do desenvolvimento sustentável brasileiro

- 2.9. Valorizar a Fitoterapia nativa e brasileira

Formar bancos de sementes e bancos vivos com espécies de destaque

- 2.10. Valorizar e aprimorar a produção de artesanato conquistando melhores formas e condições de comercialização de seus produtos

Cada aldeia possui um cacique, vice-cacique e o seu pajé. As famílias Pataxós vivem em residências semelhantes aos dos agricultores brancos feitas de adobe e pau-a-pique em sua maioria, e seus filhos já freqüentam as escolas oferecidas pela rede pública de ensino. Há um profundo respeito pelas tradições indígenas e pelos idiomas Pataxós, que também estão sendo ensinados comparativamente nas escolas. As atividades principais em Barra Velha por exemplo, cujo cacique chama-se Jose Baraia e o pajé Caruncho Dendê, correspondem à pesca marinha, agricultura, criação de gado e jegue, fruticultura, combate ao fogo no parque junto ao programa do Ibama Prevfogo, e a recepção de turistas com transporte em Buggi e comercialização de peças de artesanato em madeira e de sementes na forma de pulseiras, brincos, cintos e colares.

O que ocorre é que os recursos existentes para financiar-se um desenvolvimento sustentável nas aldeias são bastante escassos, alem de que todo o processo que envolve o fortalecimento da cultura local e de sua economia ainda são realizados com as dificuldades de planejamento e assistência normalmente encontradas no quadro do movimento indígena brasileiro, que se apresenta com o delicado desafio de equacionar a dependência econômica e alimentar do índio a cultura branca e a luta centenária por sua busca de autodeterminação e geração de uma máxima autogestão ou autonomia.

Parece que as tentativas de aprimoramento dos modelos locais de crescimento cultural e econômico não apresentam resultados visíveis, talvez pelo número muito amplo de necessidades físicas que as aldeias possuem. Aqui cabe ressaltar que a ações do Ibama e da Funai, não necessariamente podem ser julgadas negativas ou incompletas porêm estão possivelmente deficitárias em recursos e em uma abordagem mais atualizada ou paradigmática, que sobretudo ainda tende a valorizar o assistencialismo e não o impulso a autogestão e sustentabilidade das aldeias e comunidades indígenas locais. Este é um dos pontos importantes que exige um intenso processo de educação e extenção rural, somado a importância do sacrifício pessoal de cada técnico, e que este projeto tentará semear como poderá ser realizado e executado seu processo na consciência das lideranças indígenistas e ambientalistas.

As aldeias já não são mais organizadas em ocas, pelo menos a aldeia de Barra Velha: temos inúmeras casas edificadas com adobe, telha de barro e eternit, com pracinhas vegetadas, ruas arborizadas, assim aos visitantes ficam os avisos que as organizações locais estão mais modernizadas ou atualizadas. Existem postos do Ibama, Funai, Funasa, Policia Florestal, Brigada Militar, o razoável apoio do Sebrae e um belo Centro de Cultura com auditório e alojamentos. O pajé possui seu local afastado e sagrado, onde cultiva muitas espécies de ervas medicinais, faz garrafadas e um excelente artesanato. Há muitos Buggies circulando nas aldeias de propriedades de índios

Para os caciques as necessidades das aldeias consistem em aprimorar a agricultura local, para a geração de abundância e de alimentos para consumo e venda como hortaliças, cereais, feijão, frutas e ervas medicinais. Na verdade há terra de sobra, muitos grupos aptos para atuarem com a agricultura, uma grande biodiversidade, mas ainda não repassou-se uma educação agrícola e uma tecnologia sustentável adequada. Parece que a aplicação desta cultura ecológica tão simples é uma doença crônica no Brasil, que opta por modelos mais dependentes de modelos insustentáveis.

Tanto nos assentamentos do Incra, nas reservas extrativistas e nas aldeias indígenas reflete-se um modelo de utilização do potencial da agricultura que despreza a matéria orgânica e o enriquecimento natural da fertilidade dos solos, priorizando o uso de adubos químicos, agrotóxicos, sementes importadas, a transgenia, enfim parece que o “doente viciou-se em uma alopatia ou overdose suicida, que o condena a escravidão”. Será que a China, Índia, com seus bilhões de seres humanos, muitos profundamente sustentáveis, não nos apontam uma direção espiritual e técnica de manejo adequado das suas áreas produtoras de alimentos. Por que temos que viver em uma floresta ombrofila mista e densa de mata atlântica e seu clima tropical, plantando de matraca os solos, colocando npk ou somente a semente, depositada em um solo queimado, erodido, lavado pelas fortes chuvas, sem proteção nenhuma ou com a mínima aplicação de uma tecnologia de conservação de solos?

Então o Brasil de Norte a Sul necessita de tecnologias sustentáveis simples, baratas, como a produção de húmus em vermicompostos, compostagem, esterqueiras, biofertilizantes, adubação verde, manejo da palha e matos, o cultivo consorciado com a floresta, etc. Vamos tentar levar isto para os Pataxós, evitando que sofram ainda mais com a dependência de insumos externos.

Em uma de nossas visitas técnicas a Aldeia Barra Velha, onde pudemos realizar nosso primeiro curso de Agroecologia, Agricultura Biodinâmica e Permacultura no mês de março de 2.003, tivemos uma reunião com uma de suas mais destacadas lideranças, o Sr. Adauto Pataxó, que convidou-nos para visitar sua roça de “ 3.000 uns de coqueiral, 1.500 uns de pimenteira, 1.000 uns de abacaxizeiros e 5.000 mudas de mandioca”. A maioria sendo adubada com NPK 10-10-10, sem nenhum uso de mulching e inclusive os resíduos agrícolas estavam sendo queimados. Basicamente levamos sementes de adubos verdes como Mucuna, Feijão de Porco, Calopogonio, Guandu, Crotalárias, Quiabo, Rucula, Couve Manteiga, Couve Brócolis, Rabanete, e nos dispusemos a realizar uma horta em conjunto com sua equipe de trabalho. Eles desconheciam a importância do uso do mulching, da introdução de talos de bananeira entre os canteiros da horta, e da construção de telhados de palha protegendo as plantas do excesso de Sol. A água escassa estava sendo recolhida por um cano em baixo do telhado em uma caixa de água retangular de cimento. Assim começamos a aprimorar seus sistemas de cultivo. Ensinamos também a plantar-se os adubos verdes como Leucena e Guandu no meio das linhas dos coqueirais. Hoje estes índios estão alimentando-se de novas vitaminas vindas destas verduras e estudando os efeitos dos adubos verdes e da cobertura de palha sobre seus terrenos. E recebemos muitos elogios pelos resultados encontrados nesta experiência.

Para vocês terem uma idéia melhor, os solos locais são arenosos, de areias quartzosas, assim colocar fogo, fazer aração, “herbicidar”, já não é recomendável na Permacultura e Biodinâmica. Temos é passado um sulcador ou enxada e plantado em linha, e ceifado sem arrancar a raiz dos matos, deixando eles crescerem de novo 2 a 3 vezes, assim podemos aproveitar a sua produção de matéria orgânica, combate a erosão e controle natural de pragas. Muitos matos podem virar ervas medicinais e fontes melíferas. Ainda podemos usar o Guandu e a Leucena como consórcios para grãos e hortaliças.

Nada disto é tarefa fácil, principalmente por que a cultura local não é agrícola exponencialmente, mas nômade em sua origem, caçadora, pescadora ou em síntese extrativista. Isto quer dizer que os Pataxós possuem sues ritmos, sua própria natureza e forma de atuar em seu trabalho, que envolve normalmente a busca de sua harmonia com os ritmos da natureza e sua espiritualidade, diferente da nossa civilização que impõe rotinas de trabalho muito mais intensas e competitivas, dentro de um enfoque de enriquecimento materialista e financeirista imediato.

Outro aspecto importante é que cada aldeia possui diversos grupos de roça, coordenados por sua principal liderança. Estes grupos não necessariamente competem entre si, porém atuam normalmente de forma isolada, mas estão sempre em contato no sentido de conhecer a introdução de novas tecnologias ou na busca de resolver parte de seus principais problemas locais. Assim, alguns grupos atualmente chegam a possuir 40 has de roças abertas e cultivadas, e inclusive já possuem contato e experiência de comercialização de seus produtos em supermercados de Eunapolis ou de Caraiva.

O Impacto deste Projeto no âmbito do Artesanato Nativo Pataxó

A atividade das mulheres possui uma ampla beleza em seu artesanato nativo feito de sementes. São colares e pulseiras que podem embelezar a arte índia de nossa nação, mas que estão perdendo as suas outrora abundantes fontes de origem genética pela sua exploração intensiva. A nossa inteligência e despertar estão que vamos valorizar as espécies locais e introduzir sementes de adubos verdes e de outras espécies florestais que alem de recuperar o solo são ótimas para o tipo do artesanato Pataxó. Uma das espécies de destaque locais é o Flamboyant Vermelho, que adorna a aldeia e os colares, outras sementes de grande valor são o Tingui, Pau Brasil, Jarana, Olho-de-Pombo, Pacari e Trento.

Por exemplo, a comercialização dos colares e pulseiras dos Pataxós foi um sucesso no Fórum Mundial realizado em Porto Alegre, RS, em Janeiro de 2.003. Este é outro grande componente estratégico deste projeto, a valorização da forma mais adequada de comercialização do artesanato Pataxó, que necessita encontrar seu caminho natural de desenvolvimento, pois alem de ser uma das principais fontes de renda e melhoria da qualidade de vida Pataxó, ocasiona muita motivação às famílias, sobretudo quando encontra pedidos de compra em maior volume, sobretudo internacionais. Algumas destas vendas possibilitaram a aquisição de tijolos, telhas, móveis domésticos, a construção de residências simples porém de melhor qualidade, ou mesmo a compra de buggies. Assim a entrada de recursos e de dinheiro não necessariamente pode representar um retrocesso no processo de desaculturação Pataxó, mas como um processo inverso, de possibilitar a satisfação de suas necessidades básicas de vida, libertando assim o potencial artístico e sua capacidade de interagir melhor com sua cultura nativa ou mesmo sua espiritualidade.

Quem sabe poderemos colaborar decisivamente com os caciques a melhorar sua economia primeiramente coletando sementes, mudas, fazendo um enorme viveiro em cada aldeia, depois plantando as árvores, novas sementes, hortas, lavouras, pastagens e montando estábulos nas aldeias. E em uma etapa estratégica colaborando na organização de novos mercados de qualidade e éticos para a comercialização dos excedentes agrícolas ou mesmo do fantástico artesanato desenvolvido na região.







 
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